Um beijo roubado

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Wong Kar-Wai faz um tipo de cinema bem característico. Tudo é muito exagerado, colorido, cheio de paixão e dor. Talvez por isso, seus filmes sejam tão lindos. Uma beleza que transborda a própria história, arrebatando os sentidos do espectador. É uma experiência quase anestesiante, com uma espiral de sensações das mais diversas: as cores fortes, os cenários e os figurinos deslumbrantes, a trilha sonora sempre marcante e bela, os diálogos tocantes e singelos, tudo vai se juntando e dominando nossa consciência, nos rendendo a sua magia. Isso é Kar-Wai. Por isso que adoro seus filmes. E é por isso que Um beijo roubado é um filme precioso e belo. O enredo é simples, quase um road-movie. Conta a história de Elizabeth, interpretada por Norah Jones, que, após sofrer uma desilusão amorosa, começa uma pequena jornada pela América em busca de si mesma. No caminho ela se envolve com uma sucessão de personagens, todos tristes e atormentados pelas suas próprias angústias. Bem, o enredo do filme é mais ou menos isso, mas o que torna tudo genial, infelizmente, é aquilo que não pode ser descrito com palavras. É a cena linda da torta de blueberry, que remete ao nome original do filme, são as tomadas inusitadas da câmera, a singeleza de algumas poucas palavras trocadas entre os personagens ou as belas músicas que animam todo o filme. Tudo isso torna Um beijo roubado repleto de pequenas epifanias poéticas, um pequeno momento apaixonante.
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