Cursei, no primeiro semestre desse ano, uma disciplina sobre a obra do jovem Sartre (os seus principais textos anteriores à sua obra mais famosa, O Ser e o Nada). O foco principal do curso era compreender como o filósofo francês construiu suas primeiras reflexões amparadas numa leitura crítica da fenomenologia de Husserl. Como conclusão do curso, era necessário escrever uma pequena dissertação sobre algum aspecto trabalho nas aulas. Disponibilizo abaixo a minha dissertação, na qual tratei do problema das emoções nas primeiras obras de Sartre (mais precisamente, no seu texto inaugural, Uma idéia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade; A transcendência do ego e no Esboço para uma teoria das emoções. Deixei o arquivo no Scribd, mas sei que ela não é mais a melhor plataforma para compartilhar textos, já que está cheio de regras limitando o acesso e a circulação, mas ainda não conheço outra melhor. Caso alguém queira baixar o texto e não consiga fazê-lo pelo Scribd, basta entrar em contato que envio por e-mail.

Dissertacao – A Teoria Das Emocoes Do Jovem Sartre Entre a Fenomenologia e a Psicologia



A lição do pós-estruturalismo, uma vez assimilada pelos historiadores, parece poder sintetizar-se numa só frase: os acontecimentos, as estruturas e os processos do passado não se distinguem das formas em que se representam nas fontes documentais, dos discursos que os constituem, enfim dos textos. E um texto é apenas mais uma versão, mais outra forma de regresso a uma viagem sem princípio ou fim. O texto inicial dissolve-se na referência a outros, não importa se com o rótulo de ficcionais ou realistas. Qualquer leitura documental torna-se eminentemente intertextual. Ora, e porque não estabilizamos este ou aquele texto no passado histórico, o que teremos dele são apenas interpretações, e interpretações mais ou menos plausíveis. Consequentemente, os critérios verdadeiro-falso não se podem aplicar à historiografia. Os únicos protocolos analíticos relevantes são os de ordem estética, e não mais os normativos de cariz epistemológico. A conclusão: o passado não existe por si, é apenas uma realização com a assinatura, no presente, do respectivo historiador, o qual se descobre agora num ofício bem mais criativo, posto que também a história terá de viver sem o seu ponto de Arquímedes

(Jorge Ramos do Ó, O Governo de si mesmo, p. 90)

Rousseau e o Contrato Social

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Dissertacao Contrato Social

Uma coisa que eu detesto é quando pesquiso no Google atrás de uma comunicação ou artigo acadêmico e não consigo encontrar uma versão digital do texto. Há sempre muitos congressos, nem sempre podemos estar presente, e muitas vezes precisamos conhecer e trabalhar com as idéias lá discutidas. Se todos fossem minimamente conscienciosos, divulgariam suas comunicações na Internet, o que só facilitaria a vida dos demais pesquisadores, além de ajudar a divulgar aquilo que foi produzido com tanto trabalho. Infelizmente nem sempre isso acontece. Sabendo disso, venho tentando manter todos os meus artigos acadêmicos no Scribd, com links aqui no blog. Meu último artigo, apresentado na ANPUH Nacional de 2009, não foi publicado na internet, mas agora está disponível para quem se interessar. Trata-se simplesmente de uma nota metodológica a respeito de um conceito foucaultiano, governamentalidade, que ajuda a pensar o problema do poder em novas bases. É uma primeira reflexão do que estou trabalhando no meu doutorado, por isso tem um caráter bastante preliminar e tateante. O texto foi publico nos Anais eletrônicos do congresso, com a seguinte referência:

 

 

CÂMARA, Leandro Calbente. “A governança dos povos na capitania de São Paulo, 1808-1834: uma nota historiográfica” em Anais do XXV Simpósio Nacional de História: por uma estética da beleza na História. Fortaleza: ANPUH, 2009. ISSN: 2176-2155. versão digital.

 

 

Bom proveito aos interessados.

A governança dos povos na capitania de São Paulo, 1808-1834: uma nota historiográfica

Derrida e o estruturalismo

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“Há portanto duas interpretações da interpretação, da estrutura do signo e do jogo. Uma procura decifrar, sonha decifrar uma verdade ou uma origem que escapam ao jogo e à ordem do signo, e sente como um exílio a necessidade da interpretação. A outra, que já não está voltada para a origem, afirma o jogo e procura superar o homem e o humanismo, sendo o nome do homem o nome desse ser que, através da história da Metafísica ou da onto-teologia, isto é, da totalidade da sua história, sonhou a presença plena, o fundamento tranqüilizador, a origem e o fim do jogo”.

Esta frase sintetiza uma das mais importantes críticas ao estruturalismo francês na década de 1960, quando as idéias estruturais ainda ocupavam uma posição central naquele contexto intelectual. Jacques Derrida, o autor do texto, sempre realizou um diálogo crítico com os autores mais importantes do momento estruturalista, como Claude Lévi-Strauss, Jacques Lacan ou Michel Foucault. Esta postura já podia ser observada em seus primeiros textos, como Force et Signification ou Cogito et histoire de la folie. Porém, foi em 1966, na ocasião do Colóquio As Linguagens Críticas e as ciências do homem na Universidade de Johns Hopkins (Baltimore), que o filósofo francês realizou seu comentário mais radical e crítico em relação ao estruturalismo.

Esta crítica, porém, não significa a completa renuncia daquela “aventura do olhar” representada pelo estruturalismo. Na verdade, como defende François Dosse, o pensamento derridiano é uma radicalização, um levar ao extremo, uma torção, dos procedimentos estruturais de leitura e crítica textual.

Partindo dessa perspectiva, minha proposta nesta reflexão é discutir e comentar o funcionamento desta radicalização operada por Derrida em seus textos. O ponto de partida, evidentemente, será o seu texto A estrutura, o signo e o jogo no discurso das ciências humanas, ao qual irei costurar as idéias presentes em outros textos relevantes para a questão.

 

O texto completo em:

Derrida e o jogo das estruturas

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