Do espiar (um complemento ao texto anterior)

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Quando um indivíduo, um povo ou uma civilização não tem mais para onde expandir a imaginação, um processo de implosão é detonado. Preso em si mesmo, encarcerado nos limites que se auto-impôs, incapaz de deslocar-se, desviar-se, o homem invariavelmente se volta contra si mesmo e passa a viver uma vida doentia. Quando atracamos todos os barcos, quando criamos âncoras cada vez mais pesadas e velas cada vez menores, ou seja, quando abandonamos a deriva da imaginação e as verdades oníricas, o que se cria, em última instância, é essa cisma contra si mesmo, essa desconfiança de si. Por isso o ato de espionar, de policiar e controlar torna-se regra numa civilização onde as verdades profundas da fantasia se exaurem.

Os descaminhos da nau foucaultiana: o pensamento e a experimentação

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2 Comments to “Do espiar (um complemento ao texto anterior)”

  1. Cristian Korny disse:

    eu sinto isso ao ouvir as merdas de músicas que tocam nos rádios e afins, uma música vazia, fechada para a imaginação, aonde a forma, que é quem carrega a informação para o imaginario, é mantida em segundo plano e a dimensão trágica é desprezada, pura e simplesmente.

  2. Leandro disse:

    É, não foi exatamente em relação à música que pensei na citação, mas seu comentário é interessante. Um abraço

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