Educação Biopolítica

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“Nos anos 80, nos EUA, considerava-se uma criança demasiado ativa como manifestando um déficit de atenção. Ela entrava no registro das patologias da química cerebral e da constituição genética. Milhões de estudantes são hoje tratados com ritaline ou outros medicamentos em virtude de sua dificuldade de aprendizagem ou de perturbações que provocam em suas classes. São tratados por ansiedade, depressão, problemas de comportamento etc. A educação familiar é protegida, dessa forma, de qualquer dúvida quanto ao seu funcionamento, tem certeza de jamais estar errada. (…) A biologização do sintoma da criança naturaliza suas condutas – que pretensamente agora exprimem sua patologia e não mais seu sofrimento por estar imersa em uma situação em que não encontra sua razão de ser. A escuta da criança, o suporte afetivo, o acompanhamento ao seu lado, a detecção de violências familiares ou escolares deixam de se impor quando se trata de cuidar estritamente do sintoma (a criança transformada em terminal biológico) sem ter mais de interrogar as causas (o sistema de relação em que está imersa)”

David Le Breton, Adeus ao corpo, p. 58

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