Maria Antonieta

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Antigamente havia uma distinção entre estória e história. A primeira tinha um caráter eminentemente fictício, enquanto a segunda era algo pautado pelos fatos reais (será que alguém ainda acredita nisso…). Literatura e cinema, em geral, estariam enquadrados na primeira categoria. A história dos historiadores, de acordo com seus métodos rigorosamente científicos, deveria ser enquadrado na segunda categoria. Essa distinção está em desuso hoje em dia, mas não deixo de pensar nela após assistir Maria Antonieta de Sofia Coppola. O filme narra a vida da rainha que foi destronada pela Revolução Francesa. O bacana do filme é que a diretora consegue transformar uma narrativa canônica em algo muito particular. Ela não se importa em reconstituir a “verdadeira” rainha, nem os verdadeiros modos da nobreza decadente de Versailles. Não é nada disso. Sofia Coppola não quer contar uma história, ela quer contar uma estória. Uma estória muito bonita, sobre deslocamentos e muita solidão, tudo isso envolto em uma fotografia que salta aos olhos. Maria Antonieta é só um pretexto para tratar disso, algo feito com muita sutileza e delicadeza. O filme causou um grande frisson em Cannes… a crítica, especialmente os franceses, não gostou da forma que a História da França foi retratada no filme. A Maria Antonieta de Coppola não era fiel aos “fatos”. Mais do que isso. O filme teve a audácia de colocar um tênis All-Star entre as bugigangas da rainha. Que ultraje! Esse é o grande problema dos historiadores… tão ensimesmados com suas histórias, esquecem da importância das estórias…
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