Mostra de Cinema

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Pensei em escrever um texto sobre alguns filmes da Mostra. Acabei enrolando bastante e não escrevendo nada. Agora que já ando esquecendo tudo que vi, acho melhor escrever um comentário mais geral sobre a Mostra desse ano. Devo dizer que não sou um freqüentador tão assíduo como gostaria de ser. Nunca comprei pacotes de ingressos ou permanentes. Assisto sempre alguns poucos filmes. Poderia dizer que o faço porque escolho apenas aqueles que mais me interessam. Mentira. Esse ano fiz uma lista imensa de filmes que gostaria muito de ver. Enfim, talvez me falte um espírito de Mostra, aquilo que motiva alguém a assistir 40 ou 50 filmes em pouco mais de duas semanas. Quem sabe na próxima…

Bem, ainda que não me embriague de filmes, espero com muita ansiedade a época da Mostra. Adoro passar horas olhando a programação, escolhendo filmes, lendo as sinopses, tentando identificar os diretores, os países com meus filmes favoritos, e eventualmente assistindo um filme ou outro. Foi com uma grande expectativa que aguardei a Mostra desse ano. Quando ela chegou, no entanto, não me senti tão animado. Os filmes não pareciam tão interessantes quanto no último ano (ainda que tenha gostado muito dos que vi), as filas pareciam ainda maiores, os horários não batiam, e meus compromissos pareciam impedir que pudesse acompanhar tudo com o devido cuidado. Enfim, realmente não estava no clima que pensei que estaria. Mas, mesmo com todo esse desânimo, teve algo que realmente vai me fazer lembrar dessa mostra com muito carinho… foi minha primeira mostra junto com a Mariana. E isso fez toda diferença.

Bem, quanto aos filmes… Gostei demais de cinco filmes: Persepolis, Hana, Em Paris, Jogo de Cena e Perdido em Pequim. Esse último, por sinal, foi uma bela surpresa que tive. O filme conta a história de uma moça que foi estuprada pelo seu patrão na frente do seu marido. Tudo fica ainda mais complicado quando ela descobre que está grávida, e seu marido bola um plano para deixar a criança com o patrão em troca de muito dinheiro. O filme lembra um outro filme que gostei muito, A Criança dos irmãos Dardenne. Nos dois filmes o que vemos são adultos incapazes de agir como tal, ou seja, sem responsabilidades ou compromissos. Tudo é gratuito e ninguém deseja abraçar as conseqüências.

Hana foi outro filme que me surpreendeu bastante. É a história de um samurai que deve vingar a morte de seu pai no Japão do século XVIII. No entanto, ao contrário das expectativas, não é mais um filme de samurais defendendo valores tradicionais de honra e prestígio. Nada disso. O filme, na realidade, é uma grande macaqueação disso tudo, pois o samurai é covarde e não pretende lutar com ninguém para resgatar a honra perdida de sua família. Assim, ao invés daqueles filmes cheios de lutas e batalhas sem fim, Hana conta a história desse personagem vivendo numa pequena comunidade pobre. Além disso, o filme tem um lado cômico bastante surpreendente, especialmente para quem assistiu Ninguém Pode Saber, o filme (lindíssimo) anterior do diretor de Hana.

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