XXY

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Por Alain El Youssef

Em tempos de biopolítica é difícil encontrar algo que escape a este tipo de poder, uma vez que tudo (ou quase tudo), hoje em dia, parece estar englobado por essa lógica. Uma rara exceção a este modus vivendi pode ser visto na produção argentina intitulada XXY. Este filme narra a história de Alex, uma hermafrodita criada (à base de remédios) como uma menina. Encontrando-se no início de sua vida sexual, a protagonista do filme se vê diante dos problemas que sua condição acarreta para a sua vida pública, principalmente no âmbito dos relacionamentos pessoais. Por meio destes, Alex acha-se frente ao seguinte dilema: continuar a ser mulher ou se tornar um homem? Para completar a trama, um cirurgião plástico aficcionado por “bizarrices” (um agente biopolítico por excelência) reside por alguns dias na casa da família de Alex com o intuito de convencer a família a fazer a cirurgia corretora. Mas embora tudo pareça indicar para a tomada de uma decisão, Alex opta por enfrentar todas as conseqüências de possuir ambos os sexos, não fazendo nenhuma alteração em seu corpo. Decisão, esta, bastante ousada e, até certa forma, incompreensível para uma sociedade como a nossa. Todavia, ao optar por não optar, Alex nos ensina que a vida ainda pode ser perfeitamente vivida, independente das características físicas dos nossos corpos e para além dos códigos normatizadores. Não seria esta uma ótima lição para um país onde a população é uma das que mais faz cirurgias plásticas (muitas vezes fúteis) em todo o mundo?

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